Alceu José Leonel
Nasceu
em 26 de junho de 1940, na Campina Verde, no serradão do estado de Minas
Gerais. Filho de Sebastião Leonel Barbosa e Maria Joana Felix, também mineiros
da cidade de Itapagibi.
Alceu teve mais seis irmãos
que nasceram também na serra pelas mãos da mesma parteira que atuava
na comunidade.
Cresceu na região ao lado do pai que trabalhava como servente
geral; fazia cerca, lidava com gado,
plantava roça, cultivava porcos e logo aprendeu com o pai as
habilidades de comprar e vender.
Com 11 anos foi para o estado de Goiás buscar gado no lombo de um cavalo em comitivas. Logo com
a crise familiar e as dificuldades econômicas, um fazendeiro por nome José Davi levou os irmãos para morar em uma fazenda,
lá eles iniciaram o trabalho diário no
cultivo do café.
Já no ano de 1952, Alceu precisou ir para cidade onde voltou aos
estudos. Com 18 anos retornou para o
serradão na cidade de Talhados-MG, onde se aventurou a tocar lavoura por conta.
Destocou uma grande área de terra no machado e enxadão – arou no braço com a ajuda de tração animal (cavalo) e
começou a cultivar a terra.
A estiagem não ajudou e Alceu José Leoneu perdeu sucessivas
lavouras ficando endividado, foi ai que decidiu ajudar seu irmão que estava em outra
fazenda.
Logo teve a oportundiade de conhecer o fazendeiro João Barcelo a quem pediu ajuda – o fazendeiro de bom grado lhe emprestou o dinheiro para quitar todas suas dívidas, na condição de que ele fosse trabalhar no então estado de Mato Grosso na derrubada de mato.
Foi ai que no ano de 1961 saiu do
estado de Minas Gerais com destino ao Mato Grosso do Sul- que naquela época ainda era chamado de MT – demorou cerca de cinco
dias em cima de um caminhão percorrendo
uma estrada de terra e pedra.
Foi assim que Alceu chegou no município de Caarapó, no Machado Kuê
região do Campestre entre o ano de 1961 a 1962.
Nessa região, vendo que a comunidade era carente e que já tinha cerca de 15 crianças fora da
escola, iniciou o projeto da primeira escola
se colocando como professor voluntário. Logo conseguiu a doação
de algumas tábuas velhas e construiu a
cobertura e bancos para os alunos.
Comunicativo que era, na região do Campestre fez muitas amizades se destacando na
comunidade com um homem prestativo e atuante.
Já no ano de 1963 o então prefeito Epitácio Lemes dos Santos
sofreu um atentado, ao fugir por uma rota desconhecida ficou atolado na região
do Campestre – foi ai que o prestativo e diligente Alceu lhe prestou toda
atenção e socorro. O prefeito se afeiçoou ao rapaz e lhe nomeou para ser professor no município.
Nesse período conheceu
a senhora Eva Arteman – onde em 1965 casou-se, dessa união nasceu
duas filhas, Isabel Arteman
Leonel e Agda Arteman Leonel.
Agora casado, Leonel passou a intensificar o trabalho, com poucos meses conseguiu uma doação de madeiras do senhor Emídio Veloso, pai do “Bengo”
(Alipio Veloso) – que tinha uma serraria.
Com a doação da madeira, Leonel construiu sua casa e uma escola maior. Nesse local, com aumento dos moradores que
vinham para trabalhar, principalmente no ramo de madeireira, Leonel montou com sua esposa uma mercearia e
continuava se dedicando na ajuda às pessoas.
Já no ano de 1972 - criou um time de futebol - foi neste período que recebeu o convite para
sair candidato a vereador sendo eleito
com uma expressiva votação, no entanto não havia remuneração.
Como vereador passou a intensificar o trabalho social, levava
gente para Cascavel (PR) , Dourados e
São Paulo em busca de atendimento
médico. “ {...} muitos não tinham documentos e eu dizia, quando chegar na porta
do hospital você cai. Quando a pessoa
caia os enfermeiros já chegavam com a maca e levava para tratamento, depois a
gente se virava com a questão dos documentos” .
Em 1976 se reelegeu com outra expressiva votação. Como era
demasiadamente comunicativo e desenrolado, o então prefeito Nilson Lima o
indicou para ser o presidente do Legislativo.
No ano de 1988 foi indicado para ser diretor de 42 escolas,
compreendendo uma extensa área – além da sede do município nos distritos de Cristalina, Nova América, Juti,
comunidades de Café Porã, Saiju, Campestre e outras fazendas.
Foi ai que o prefeito Nilson Lima viu em Alceu José Leonel a
possibilidade de fazê-lo sucessor na prefeitura e iniciaram então projeto
político concorrendo a prefeitura pelo
PSD.
Naquele ano eleitoral disputaram a prefeitura seis
candidatos: Milton Demero, Alécio Maitan, Takeioshi Nakayama, Dr. Dércio, Dr.
Quinto e Alceu José Leoneu que acabou perdendo a eleição por 90 votos pela sublegenda, mas tirou mais votos que o
eleito Takeioshi Nakayama.
Da vida política não conseguiu fazer patrimônio, ao contrário, precisou vender 22 lotes que tinha em Dourados, três casas e cinco lotes em área nobre de Campo Grande para pagar dívidas de campanha.
Abandonando a carreira política, já sem patrimônio nenhum, mudou-se para cidade, com uma mudança em cima de uma camionete C14, procurava uma casa para alugar, até que encontrou uma, na verdade o proprietário queria vender – então fez a troca na camionete parcelando o restante em 24 promissórias de R$ 1.000,000,00 cruzeiros. (local que reside até os dias atuais).
Destemido, Leonel continuou trabalhando e resolveu estudar,
concluindo a licenciatura em pedagogia e magistério na Fifasul – Faculdade de
Fátima do Sul.
E sua vida futura se resumiu em trabalho de motorista de
caminhão, vendedor, leiturista da Enersul, professor, se tornou diretor da
então Enersul por 15 anos.
Quando soube que teria eleição para conselheiro tutelar no ano de 2002, estudou, passou na prova
seletiva e foi o conselheiro mais votado
Aos 65 anos de idade se aposentou por tempo de serviço, e atualmente é o administrador do loteamento
Capitão Vigário, atividade que faz há mais de 12 anos .