A história de Antônio Vieira de Sousa é um testemunho admirável de perseverança, humildade e visão empreendedora. Nascido em 27 de dezembro de 1956, na pequena e acolhedora cidade de Francisco Badaró, em Minas Gerais, Antônio é filho de José de Sousa Cruz e Maria Vieira da Silva, dois trabalhadores simples que encontraram na terra o sustento para uma numerosa família.
Criado em um lar humilde, cercado por 13 irmãos —
dos quais cinco infelizmente faleceram —, Antônio desde cedo aprendeu o valor
do trabalho árduo, da união familiar e da resiliência diante das dificuldades.
A vida no campo, marcada pelo cultivo em uma pequena área rural, moldou seu
caráter forte, disciplinado e determinado.
Ao completar 18 anos, movido por coragem e pelo
desejo de construir um futuro melhor, o jovem mineiro aceitou um convite que
mudaria definitivamente sua trajetória: viajar para o então estado de Mato
Grosso, trabalhando em regime de empreitas na agricultura. Naquela época, era
comum que trabalhadores mineiros fossem contratados temporariamente e
retornassem ao seu estado de origem ao final dos contratos.
Entretanto, em uma decisão ousada e transformadora,
Antônio resolveu permanecer em terras sul-mato-grossenses. Estabeleceu-se no
município de Juti, onde passou a trabalhar como cozinheiro para peões de
fazenda — uma função simples, mas que demonstrava sua disposição incansável
para o trabalho digno.
Foi nesse cenário que, em 1983, conheceu sua
companheira de vida, Cícera Viturino, com quem se casou no ano seguinte,
em 1984. Dessa união sólida e harmoniosa nasceram três filhos: Emerson, Eberson
e Vanessa — pilares de uma família construída com amor, sacrifício e valores
firmes.
Em 1990, já com dois filhos, o casal decidiu
recomeçar em Caarapó. Enfrentando sérias dificuldades financeiras, receberam
uma oportunidade que marcaria o início de uma nova fase: morar como caseiros
nos fundos da Comunidade Santa Maria, em uma pequena e simples residência.
Foi ali, em meio à escassez, que surgiu o olhar
visionário de Antônio. Observando as festividades frequentes da comunidade,
especialmente as tradicionais celebrações do mês de maio, ele enxergou uma
oportunidade onde poucos viam valor: a coleta de latinhas para venda. Com
iniciativa, coragem e espírito empreendedor, começou a juntar materiais
recicláveis, transformando gradualmente o fundo de seu quintal em um pequeno
depósito.
Com inteligência prática e visão de crescimento,
Antônio percebeu que poderia ir além: passou a comprar materiais de outros
coletores para revenda, ampliando sua margem de lucro. Assim, com esforço contínuo,
iniciou suas atividades percorrendo bairros com uma simples bicicleta e,
posteriormente, com uma carroça — símbolos de uma jornada marcada por luta e
persistência.
Mesmo com pouca instrução formal, nutria um sonho
audacioso: tornar-se empresário e conquistar independência financeira. E foi
com trabalho incansável, honestidade inquestionável e dedicação diária — muitas
vezes de domingo a domingo — que começou a transformar esse sonho em realidade.
Durante 17 anos, viveu nos fundos da comunidade,
onde viu seus filhos crescerem e seus negócios prosperarem. Homem íntegro,
generoso e de coração bondoso, conquistou, no ano 2000, sua primeira casa
própria, localizada na Vila Planalto, onde reside até hoje com orgulho e
gratidão.
Atualmente, aos 66 anos e gozando de plena saúde,
Antônio colhe os frutos de uma trajetória extraordinária. À frente da empresa Santo
Expedito, consolidada como uma verdadeira potência no setor de recicláveis,
expandiu seus negócios de forma impressionante. O pequeno depósito deu lugar a
uma estrutura robusta, com barracão amplo destinado à coleta, triagem, pesagem
e prensagem de materiais.
A antiga bicicleta e a carroça foram substituídas
por camionetes e caminhões equipados com munk, permitindo atender dezenas de
municípios da região do Cone Sul e uma rede que ultrapassa três mil clientes.
Mais do que um empresário bem-sucedido, Antônio
Vieira de Sousa tornou-se um agente de transformação social. Em Caarapó, é
responsável por gerar renda para centenas de famílias que encontram na reciclagem
uma fonte digna de sustento.
Hoje, realizado e sereno, desfruta das conquistas
ao lado da família, celebrando a vida com seus três netos e aguardando, com
alegria, a chegada de um bisneto. Apesar de ser reconhecido como o “cabeça” da
família, sua esposa, com sabedoria e bom humor, relembra que é ela quem “move o
pescoço” — uma demonstração carinhosa da parceria sólida que construíram ao
longo dos anos.
A trajetória de Antônio Vieira de Sousa é, acima de
tudo, uma inspiradora lição de vida — um exemplo vivo de que, com fé, trabalho
e determinação, é possível transformar dificuldades em conquistas e sonhos em
realidade.