Agripino Benites Kaiuá, nascido em 05 de novembro de 1962, no município de Caarapó, na Aldeia Te’yikue, é filho de
Cassimiro Fernandes e Ramona Benites. Homem de origem indígena, de raízes
profundas e identidade marcante, construiu uma trajetória de vida admirável,
marcada pela perseverança, liderança e compromisso com sua comunidade.
Desde a infância, demonstrou disposição para o aprendizado, iniciando seus
estudos aos seis anos na Escola José Bonifácio, localizada na própria aldeia.
Ainda que tenha enfrentado interrupções em sua formação escolar — motivadas
pelas dificuldades da vida e pela necessidade de contribuir com o sustento
familiar —, jamais abandonou o desejo de aprender. Aos dezoito anos, retomou os
estudos no Colégio Estadual Cândido Lemes dos Santos, revelando determinação e
espírito resiliente, embora tenha novamente interrompido sua trajetória
educacional para trabalhar.
Dotado de um espírito comunitário forte e de uma liderança natural, Agripino
iniciou, em 1982, sua atuação como conselheiro na comunidade indígena, ao lado
do Cacique Erme Araújo. Desde então, destacou-se como uma liderança atuante,
articuladora e comprometida, participando ativamente dos movimentos políticos e
sociais dentro e fora da aldeia. Sua postura firme, responsável e estratégica o
levou à presidência do conselho, função que exerceu por quatro anos com
dedicação e respeito.
Após o falecimento do Cacique Erme, afastou-se temporariamente da liderança,
retornando posteriormente ao cenário político comunitário com renovada
disposição. Com a ascensão do Cacique Orbano e do vice Florêncio Marque,
filiou-se ao PMDB e candidatou-se ao cargo de vereador, obtendo expressiva
votação dentro da comunidade, ainda que não tenha sido eleito naquele momento.
Com o falecimento de Orbano e a posse de Florêncio Marque como cacique
titular, Agripino assumiu o cargo de vice-cacique, onde permaneceu por três
anos. Posteriormente, com a morte de Florêncio, assumiu a liderança máxima como
cacique titular da comunidade, exercendo o cargo com firmeza, sabedoria e
profundo senso de responsabilidade coletiva.
Durante sua gestão, acompanhou importantes movimentos políticos e sociais,
como a organização do movimento indígena City Gua-su, as transformações
institucionais da FUNAI e os processos de
demarcação de terras em diversos municípios do Estado. Sua atuação nesse
período foi marcada por protagonismo, consciência política e defesa dos
direitos indígenas.
A partir de 1994, passou a atuar como cabeçante em usinas do Estado, demonstrando
versatilidade, capacidade de adaptação e compromisso com o trabalho. Em 2001,
retornou à liderança como vice-cacique, ao lado de João Goulart, período em que
fundou a Associação de Trabalhadores da Aldeia, evidenciando seu espírito
organizador e sua preocupação com o fortalecimento coletivo. Nesse mesmo
período, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores, ampliando sua participação
política.
Em 2004, afastou-se novamente da liderança comunitária para disputar uma
vaga no Legislativo Municipal. Desta vez, foi eleito vereador com 586 votos,
exercendo seu mandato com responsabilidade, representatividade e compromisso
com a população, especialmente com as comunidades indígenas.
Homem persistente e comprometido com o crescimento pessoal, retomou seus
estudos em 2008 na Escola Estadual Indígena Yvy Poty, na Aldeia Te’yikue,
concluindo o ensino médio com dedicação e superação. Posteriormente, foi
aprovado em segundo lugar no vestibular da Universidade Federal da Grande
Dourados, demonstrando sua capacidade intelectual e determinação, ainda que não
tenha dado continuidade à graduação.
Em 2012, conquistou aprovação em concurso público municipal, tornando-se
servidor público, função que exerce com responsabilidade, ética e compromisso
com o serviço à comunidade.
Além de sua atuação política e profissional, Agripino Benites Kaiuá
destaca-se também por sua vida espiritual ativa e comprometida. Consagrado como
pastor e missionário, exerce com zelo, fé e dedicação seu ministério na Aldeia
Te’yikue, sendo uma referência espiritual, social e comunitária para seu povo.
Hoje, exercendo a função de professor e pastor, segue sua trajetória marcada
por uma liderança firme, uma fé inabalável e um compromisso contínuo com o
desenvolvimento e a dignidade de sua comunidade. Homem resiliente, atuante e
inspirador, Agripino Benites Kaiuá representa a força, a identidade e a
esperança do povo indígena, deixando um legado significativo de luta, serviço e
transformação.