Marinalva de Souza
Farias da Costa, nascida na localidade conhecida como Cabeceira Jaapé, em
Amambai, no dia 1º de janeiro de 1968, tendo como pais o casal Adivaldo Alves
Farias e Evanilda de Souza Farias, que viviam no campo.
Com as dificuldades, os
pais decidiram se mudar para Caarapó no ano de 1975, onde se estabeleceram e
montaram um pequeno negócio. Marinalva teve a mãe como a primeira professora.
Aprendeu a ler e a escrever antes de entrar no 1º ano na Escola Estadual
Professor Joaquim Soares Viana, aos 8 anos de idade.
Marinalva conta que
sofreu para se adaptar na escola, pois nunca tinha estado com tantas crianças,
estava acostumada apenas na convivência com os irmãos. O sonho era de estudar,
trabalhar e fazer algo pela família.
Com apenas 9 anos de
idade, Marinalva começou a vender verduras e outras coisas para ajudar em casa.
Ela conta que a vida sempre foi muito sofrida, mas graças a Deus nunca faltou o
que comer.
Sempre destacada nos
ensinos fundamental e médio na disciplina de matemática, conseguiu fazer o
magistério e depois ciências contábeis. Sua formação lhe ajudou
profissionalmente e também ajudou várias entidades da qual sempre está à
disposição para colaborar.
Aos 14 anos, Marinalva
sonhava em ser professora. Ela diz que sempre achou a profissão de educador
encantadora e sempre gostou de trabalhar com crianças. Ela adquiriu informações
e procurou entender como se desenvolve a parte intelectual, afetiva, social em
cada etapa da vida até que um dia o seu sonho se tornou realidade.
Convidada a trabalhar
como ajudante de uma professora particular no ensino infantil, mesmo apenas
auxiliando, ela já se empolgava com o magistério e falava para as amigas que
estava dando aula.
O amor pela educação
aumentou ainda mais aos 16 anos quando iniciou o curso de magistério. Nesse
período, lembra, os mestres a todo momento alertavam sobre a postura e
responsabilidade dos futuros professores, foram anos que oportunizaram teorias
e práticas, das quais, até hoje, me recordo muito bem.
Enquanto dedicava parte
do tempo ao curso de magistério, Marinalva foi trabalhar em uma madeireira como
telefonista. Com apenas um ano de trabalho já dominava o assunto madeira, sendo
que o proprietário da empresa, percebendo claramente a sua disposição e
habilidade, decidiu promove-la a gerente administrativa.
No ano de 1987, ela
concluiu o magistério, mas antes de tentar o sonho de lecionar, decidiu viajar
para Bahia para conhecer parentes, os quais apenas mantinha contatos através de
cartas ou através de telefonemas. Lá, na Bahia, revela Marinalva, conheceu
pessoalmente um tio que atendia pelo nome de Augusto, hoje já falecido, o qual
era político e a incentivou a entrar na política, para fazer algo de positivo
pela comunidade. Isso ficou marcado na sua memória.
Tempos depois, Marinalva
casou-se com Averaldo e foi morar na Cidade de Campo Grande, onde voltou a
trabalhar no ramo madeireiro. Foram anos difíceis, acrescentando que engravidou
da primeira filha, Débora, que nasceu antes da hora, dando um grande susto.
Passou muito mal e teve algumas complicações.
Em virtude do Plano
Collor, o comércio de madeira, bem como de outros pequenos comércios, fecharam
em Campo Grande. Em razão da situação financeira e estado de saúde debilitada
de sua filha, Marinalva resolve retornar para a cidade que tanto ama, Caarapó,
no ano de 1993.
A partir daí as coisas
começaram a encaminhar de forma positiva. O esposo de uma amiga de magistério
convidou para aulas em substituição na escola da Fazenda Campanário, antiga
Erva Mate Laranjeira. Depois assumiu uma vaga para professora de matemática em
uma escola estadual, devido não haver ninguém com a formação. Marinalva passou
a lecionar para os alunos da 5ª e 8ª séries, isso a levou a estudar a noite
para ensinar os alunos durante o dia.
No ano de 1994 Marinalva
foi fazer faculdade de ciências contábeis, o seu antigo sonho. Ela sonhava que
com o magistério poderia continuar exercendo a profissão de coração,
professora, e com a nova formação poderia montar o próprio escritório.
Nesse período Marinalva
saiu candidata à Conselheira Tutelar, algo totalmente fora de tudo que havia
pensado. Ela foi a mais votada dentre as mulheres eleitas conselheiras, e
aprendeu os direitos e deveres das crianças e adolescentes, como sugeriria e
cobraria políticas públicas. Com essa oportunidade, Marinalva acabou
participando de capacitações, e adentrando na responsabilidade de ser
Conselheira por três anos.
Marinalva decidiu não
disputar a reeleição para o Conselho Tutelar porque queria buscar outros rumos
e nesse período nasceu a sua segunda filha, Sarah.
Logo após veio o
convite para outra atividade inesperada, que era dar aula na Associação de Pais
e Amigos dos Excepcionais (APAE).
No ano de 200 a 2002,
Marinalva trabalhou meio período na APAE e outro meio período trabalhou como coordenadora
da Guarda Mirim. Marinalva resgatou a corporação, buscando professores,
instrutores, voluntários para a missão. Os mirins que não tinham uniformes e
nem participavam de acampamentos e muito menos apresentava atrações nas
atividades rotineiras, passaram a contar com experiências de outras corporações
do Estado.
Marinalva buscou
subsídios junto ao Instituto Campograndense para estruturar a entidade. Fez o
uniforme padronizado (gala) e o uniforme de campo (esporte). Reformulou o
Estatuto para se enquadrar nas normas da legislação de assistência social das
Organizações Não Governamentais (ONGs), realizou parcerias com o Rotary e a
Prefeitura Municipal para estruturar a parte física da entidade que estava sem
condições adequadas para receber os mirins. A Guarda Mirim também voltou a
fanfarra do município. Marinalva conseguiu articular apoio político para a
construção da sede própria da instituição.
Enquanto muitas Guardas
Mirins encerraram suas atividades em diversos municípios do Estado, inclusive
em Dourados onde era modelo, em Caarapó a instituição só cresceu.
No ano de 2002 surgiu
uma especialização em Campo Grande, na UNAES, na área de Educação Especial.
Marinalva concluiu sua monografia dentro da área das pessoas com autismo, pois
queria aprender e trabalhar com os alunos autistas e suas famílias, para
contribuir, amenizando a situação de angústia que alguns viviam. Marinalva
realizou pesquisas e projetos para esse fim. No final do ano de 2002, a
diretora pedagógica administrativa na APAE adoeceu e Marinalva foi convidada a
assumir o seu lugar. Era mais um degrau que exigia mais conhecimento. Por estar
envolvida com APAE e Guarda Mirin, Marinalva conheceu e participou de diversos
conselhos municipais: Conselho de Saúde, Conselho de Assistência Social e
Conselho de Educação, trabalhando sempre em prol dos munícipes caarapoenses.
Em 2004, Marinalva foi
convidada para ser candidata a vereadora. No início teve um pouco de
resistência, mas como não havia mulheres na política e 30% das vagas da
coligação foi destinada às mulheres e pela insistência, inclusive das
Diretorias Executivas das ONGs, do município que fazia parte do grupo político,
acabou aceitando esse desafio também, pois era, também um sonho antigo e como
dizem, a política está na genética. Marinalva fez uma campanha árdua de três
meses e os dos nove eleitos, foi a única mulher a se eleger. Nesse mandato
Marinalva buscou se capacitar, participar de encontros para obter subsídios
para um mandato de êxito e sucesso.
Mal havia começado o
exercício de vereança e já chegando no ano de 2008, novos rumos na vida.
Marinalva sempre pensou em prol da sociedade e a pedido da liderança política
do grupo foi convidada a ser vice-prefeita na reeleição do prefeito da época. O
nome de Marinalva foi aprovado para o cargo depois de serem feitas pesquisas de
opinião.
Nas eleições de 2009 a
2016, Marinalva desempenhou o cargo de vice-prefeita, sempre buscando melhorias
para a população Caarapoense. Marinalva retornou a vereança nas eleições de
2017, assumindo a Presidência da Câmara no ano de 2019 e 2020, sendo a primeira
mulher a comandar o Legislativo de Caarapó.