João
Glauco Alencar Arrais
Filho dos nordestinos
Napoleão Monte Arrais e Maria Eci Alencar Arrais, nasceu em 13 de fevereiro de
1951, na cidade de Presidente Bernardes, no estado de São Paulo. Teve uma
infância difícil, trabalhando na roça com os pais desde a infância, depois foi
engraxate.
Quando jovem, era
universitário e trabalhava no Banco Finasa, durante uma reunião de trabalho
Arrais expressou que seu sonho era ser advogado, e no dia seguinte foi
demitido, pois a instituição queria que o mesmo seguisse carreira bancária.
Nessa época, para arcar
com os custos de sua graduação, João Glauco se tornou vendedor ambulante, até
que se formou em Direito pela Faculdade de Toledo, em Presidente Prudente.
Apesar de ter realizado seu maior sonho, só pode participar da colação de grau,
pois não tinha condições de arcar com os custos das festividades da formatura.
Percorreu vários
estados do Brasil tentando se estabelecer, finalmente montou um escritório no
estado de Rondônia, mas antes de começar a advogar por lá, recebeu uma proposta
de trabalho em Caarapó, e para ficar mais perto da família se mudou pra cá.
Porém ao chegar em nossa cidade, descobriu que sua proposta de emprego havia
sido revogada.
Nesse momento, o já Drº
Arrais não tinha condições financeiras de se mudar para outra cidade, então em
dezembro de 1980 abriu seu primeiro escritório na cidade de Caarapó, passando a
advogar no dia 07 de janeiro de 1981. Um dos primeiros advogados de Caarapó,
Arrais foi convidado a assumir a Procuradoria do Município, onde permaneceu por
14 anos.
No ano de 1984 se casou com o amor de sua vida
e sua grande companheira, a pedagoga Helena Moreno Arrais, e no mesmo ano teve
seu primeiro filho Breno, que hoje é médico. Em 1986 nasceu sua filha Gardênia,
que seguiu a carreira do pai e em 1989 nasce o caçula Lindemberg, que assim
como o irmão mais velho, também exerce a medicina. Santista de coração,
presidiu o Primeiro Campeonato de Futebol de Salão de Férias, realizado no
Ginásio de Esportes de Caarapó.
Sua brilhante carreira na advocacia o colocou
como vice-presidente da subsecção da OAB de Dourados e por um período presidiu
a referida instituição. Lutou e participou da criação da Comarca de Caarapó,
bem como lutou pela criação da Segunda Vara da Comarca. Foi o responsável pela
criação, fundação e instalação da OAB de Caarapó, a qual foi o primeiro
presidente.
Por quatro vezes foi
presidente da maçonaria, e em uma dessas presidiu a primeira reunião e foi um
dos responsáveis pela criação da instituição CEMA, tão importante para nossa
cidade. Sempre se envolveu em tudo que beneficiasse Caarapó, fez parte de diversos
conselhos de segurança do município, diretorias do Harmonia CTG e do Conselho
Administrativo da AABB.
Apesar de seu amor pela advocacia, seu
espírito de empresário empreendedor garantiu muito do avanço da nossa cidade.
Há mais de 30 anos começou a construir casas para alugar, e nesse período
precisou estocar em sua própria casa os materiais de construção, então veio a
ideia de fundar a Tigre Materiais para Construção.
Desde o início em
sociedade com seu cunhado Leônidas Moreno, começou com um pequeno estabelecimento
de apenas uma porta, e hoje essa empresa emprega mais de 60 colaboradores, mas
também mantém suas casas para aluguel, uma distribuidora de gás e propriedade
rural.
Apesar de sempre muito
preocupado e envolvido com tudo relativo ao desenvolvimento da amada Caarapó, o
Drº Arrais sempre foi muito discreto, muito de suas obras de caridade, tão
importantes para Caarapó, ficam camufladas pela logo de suas empresas.
Mas o coração voltado ao bem, vem de muito
antes de suas empresas. Desde o início de seu casamento, ele e sua esposa
iniciaram a tradição de oferecer todos os sábados um café da manhã para
crianças carentes, esse café da manhã depois se tornou uma sopa, que hoje é
tradição do Centro Espírita Allan Kardec.
Ainda se dedicando a
crianças carentes, era muito comum levar essas crianças para tardes de laser em
sua propriedade rural, para que pudessem brincar na piscina, algo que na época
era a única oportunidade dessas crianças. Tudo o que conquistou na cidade de
Caarapó é sempre reinvestido aqui, seu único bem fora da nossa cidade é a casa
dos pais em Paranavaí.
Por volta de 2019 até
construiu uma casa em Dourados e pensou em se mudar para lá, mas o coração que
há muitos anos é caarapoense não permitiu. Vendeu a casa e nunca mais cogitou a
possibilidade de sair de nossa cidade. “Não
me vejo fora de Caarapó, tudo o que tenho é aqui, formei minha família aqui, e
aqui eu quero continuar morando até o fim.” nos declarou.
Há mais de 40 anos Drº
João Glauco Alencar Arrais se estabeleceu e amou Caarapó, desde então em
diversos campos diferentes lutou para o desenvolvimento dessa cidade, e a
partir de hoje se torna Cidadão Emérito Caarapoense!
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João
Glauco Arrais: De engraxate a advogado, lutou pela classe e criação da Subseção
Caarapó
Material
publicado pela OAB/MS 0
“Durante
33 anos de efetiva advocacia, procurei ser honesto, dedicado, responsável e
sempre agir com ética”
“Desistir” é uma palavra que
não existe no vocabulário de João Glauco Alencar Arrais. Filho de trabalhadores
rurais, ele começou na roça, depois trabalhou como engraxate e vendedor
ambulante até realizar o sonho de ser advogado. Com 38 anos de carreira, ele
relembra a trajetória, do interior de São Paulo a Caarapó, onde participou da
criação da Comarca e fundou a Subseção da OAB/MS.
Filho de nordestinos, Napoleão
Monte Arrais (96 anos) e Maria Eci Alencar Arrais (92 anos), Arrais, nasceu em
Presidente Bernardes, no dia 13/02/51. Na infância, ajudou os pais na roça
quando eram trabalhadores rurais, antes de se tornarem comerciantes. “A
infância foi difícil, pois meus pais, embora não tenham formação acadêmica,
queriam que todos os filhos estudassem. Apesar das dificuldades, todos os três
hoje com formação universitária, um médico, um dentista e o mais velho também
advogado”.
A primeira tentativa de cursar
Direito foi em Passo Fundo/RS. “Eu morava em Curitiba com meu irmão, quando
comecei a trabalhar no Banco Itaú e fui transferido para o Rio Grande do Sul.
Lá ingressei no curso de Direito da Universidade Federal, porém não consegui
estudar, pois não tinha como me manter, já que as aulas eram durante o dia”.
Arrais não desistiu e ao
passar férias em Presidente Prudente para ver a família decidiu fazer um novo
vestibular, dessa vez na Instituição Toledo de Ensino. “Passei, pedi demissão
do Banco Itaú, passando a trabalhar no Banco Finasa, onde fiquei por três anos.
Fui demitido, uma vez que na época exigia trabalhar parte da noite, como não
queria perder aula, falei para Diretoria do Banco em uma reunião que na verdade
queria ser advogado, me demitiram, pois eles queriam pessoas que quisesse fazer
a carreira bancária”.
Ele lembra que não foi o
melhor aluno, mas que apesar das dificuldades conseguiu realizar seu sonho.
”Fui um aluno mediano, concluindo o curso com trabalho e muita dificuldade
financeira. Para pagar o curso, eu fiz o Crédito Educativo, bem como recebia
Auxílio para manutenção (Iniciei o pagamento após um ano de formado). Foi então
que me formei em Direito pela Faculdade de Toledo em Presidente Prudente, no
ano de 1981. Das festividades da formatura, participei apenas da colação de
grau, já que a missa, o baile, jantares e despedidas, ficaram apenas no sonho,
pois não havia condição financeira para isso”.
Início da carreira
Após passar no Exame da Ordem,
ele decidiu percorreu vários estados procurando uma cidade para se estabelecer.
“Montei escritório no estado de Rondônia, e antes mesmo de iniciar os trabalhos
naquele Estado, recebi uma proposta para trabalhar em Caarapó. Como ficava mais
próximo da família, optei pela mudança e abri novo escritório na cidade, em dezembro
de 1980. Iniciando a advocacia propriamente dita em Caarapó no dia 07 de
janeiro de 1981”.
Os primeiros honorários, ele
comenta que “só deu para pagar o hotel e o aluguel do escritório”. E as
dificuldades não paravam por aí. “Advocacia foi difícil no início, pois a
Comarca era em Dourados, cidade a 45 km de Caarapó, e a estrada ainda era de
terra e tinha muita violência, porém com a dedicação venci todas as
dificuldades naquele período”, diz sem esquecer do fiel companheiro, um Fusca
verde, ano 1969.
Um dos primeiros advogados da
cidade de Caarapó, Arrais foi convidado a assumir a Procuradoria do Município,
onde permaneceu por 14 anos. “Tive efetiva participação como advogado na
criação do município de Juti, onde também fui assessor jurídico por seis anos
em duas administrações. Participei da criação da Comarca de Caarapó, estive
presente na sua instalação, bem como lutei com as lideranças na criação da
Segunda Vara da Comarca. Com a criação da Comarca, tornou-se a advocacia mais
fácil, vindo outros colegas, onde os Juízes e promotores em grande parte eram
dos novos concursos”.
Trajetória na
OAB/MS
Compreendendo as necessidades
e os anseios da advocacia no Interior, Doutor Arrais foi delegado da Subseção
de Dourados, depois assumiu a Vice-Presidência e uma cadeira no Conselho
Seccional. “Tive a oportunidade de exercer a Presidência em Dourados por um
período, em decorrência do Dr. Arfux, Presidente da Subseção na época, ter
tirado uma licença. Tenho muito orgulho de ter sido Vice-Presidente e ter
assumido a Subseção de Dourados. Fui Conselheiro da OAB/MS, onde lutei junto
com os colegas para criação da Subseção de Caarapó”, agradecendo os colegas
Afeife Mohamad Hajj (Hoje Conselheiro Federal), Vladmir Rossi (Ex-Presidente),
Geraldo Escobar (Ex-Presidente), Elenice Pereira Carille (Ex-Presidente), pelo
empenho que tiveram para criação da Subsecção.
Após a criação da Subseção,
ele criou uma Comissão para angariar fundos para a construção da sede.
“Conseguimos com o Tribunal de Justiça uma autorização disponibilizando uma
pequena área junto ao Fórum. A construção teve esforços de vários colegas de
Caarapó e de nosso Estado. As despesas com o levantamento do prédio foram
patrocinadas pela sociedade de Caarapó. Mobiliário, pintura e informatização
foi de responsabilidade da Seccional”.
No dia 18 de julho de 2003
ocorreu a instalação e inauguração da Subseção Caarapó e Doutor Arrais foi
empossado ao cargo de Presidente. “Fizemos (Junto a Diretoria da época) um
ótimo trabalho pela nossa Subseção e pela classe. Sempre tive efetiva
participação junto, pois conheci o Dr. Afeife sendo este um grande lutador em
defesa de nossa classe, que me incentivou a participar da OAB/MS, sempre
representando Caarapó, passando ser um porta voz dos colegas”. Afeife foi
Presidente da Subseção Dourados e está na terceira gestão como Conselheiro
Federal da OAB Nacional, representando Mato Grosso do Sul.
Em 2006, com cerca de 30 anos
de advocacia, ele foi diminuindo os serviços advocatícios, se aposentando
definitivamente por volta de 2012. “Mantenho a minha inscrição na OAB 2962-B,
por respeitar a nossa classe e por ter muito orgulho dela ter participado
efetivamente”, agradecendo pela oportunidade de ampliar laços de amizade e de
conhecer grandes juristas, juízes, promotores e defensores e servidores da
Justiça.
Aposentado, aos 69 anos, ele
agradece a vida que a advocacia proporcionou. Casado com a Pedagoga Helena
Moreno Arrais, Coordenadora Pedagógica aposentada, Arrais tem quatro netos e
três filhos, dois médicos e uma advogada: os Médicos Breno Moreno Alencar
Arrais (36 anos) e Lindemberg Moreno Alencar Arrais (29 anos) e A Advogada
Gardênia Arrais Bacher (33 anos).
“Não desistam nas
primeiras dificuldades”
Aos jovens advogados, Doutor
Arrais deixa o recado: “Sejam honestos em suas atitudes, lutem pelos seus
direitos e pelas prerrogativas do advogado, não desistam nas primeiras
dificuldades, não se intimidem diante do Judiciário, respeitem, pois
hierarquias não existem. Nunca desistam de lutar pelas causas justas, mesmo que
não haja a recompensa financeira”.
A um mês para completar os 38
anos de carreira, Arrais é fonte de inspiração a todos os advogados e
advogadas. Exemplo de força e superação, ele concluiu a entrevista reconhecendo
a carreira que escolheu: “Se tivesse que escolher uma profissão novamente,
escolheria ser advogado, percorrendo o mesmo trajeto”.
Glauco Arrais, assim como Aparecidos dos Passos, Belmira Vilhanueva e Osvaldo Feitosa de Lima, foram entrevistados pela Equipe de Imprensa da OAB/MS, no Projeto ‘Compartilhando Conhecimentos’. O objetivo da Seccional é trazer ao conhecimento de todos um pouco da carreira e vida daqueles que escreveram a história da advocacia sul-mato-grossense.
Toleto Prudente Publicado em 12/08/2020
O advogado formado na Toledo Prudente, João Glauco Alencar Arrais, tem feito história no Estado do Mato Grosso Sul, onde contribuiu para a criação da Comarca e fundação da Subseção da OAB/MS. Com 38 anos de carreira, concluiu o curso de Direito no Centro Universitário em 1981, realizando o sonho profissional.
Filho de trabalhadores rurais, ele começou na roça, depois trabalhou como engraxate e vendedor ambulante, até conseguir ingressar no ensino superior. Nascido em Presidente Bernardes, o advogado sempre sonhou em fazer carreira na área jurídica.
E foi na Toledo Prudente que deu início à sua trajetória no Direito. Na época, ele residia no Estado do Rio Grande Sul, mas se mudou ao ser aprovado no vestibular. “Ao passar as férias em Presidente Prudente, decidi fazer vestibular na Toledo Prudente. Passei e logo pedi demissão na agência bancária onde trabalhava”, disse.
Ele mudou-se e passou a trabalhar na cidade do interior paulista, em um outro banco. Após atuar por três anos no novo emprego, saiu ao perceber haveria interferência na tão desejada graduação. “Na época, exigia trabalhar parte da noite, como não queria perder aula, falei para diretoria do banco em uma reunião que, na verdade, queria ser advogado”, afirmou.
Mesmo diante das dificuldades financeiras, conseguiu conquistar o diploma de bacharel em Direito na Toledo Prudente. “Tenho gratidão pela Toledo Prudente, onde recebi os primeiros ensinamentos jurídicos, que foi a base do meu sucesso. Não basta ser estudioso para ser um bom advogado, tem que haver dedicação, responsabilidade, honestidade e ter ética, respeitar o colega e lutar por todos os meios legais em busca de justiça, ainda que não haja uma boa remuneração”, disse.
Devido ao ensino de qualidade, passou no Exame da Ordem e optou por percorrer vários estados em busca de uma cidade para se estabelecer, até ser convidado para atuar em Caarapó (MS), onde reside atualmente. “A advocacia foi difícil no início, pois a Comarca era em Dourados (MS), cidade a 45 km de Caarapó, e a estrada ainda era de terra, tinha muita violência. Porém, com dedicação venci todas as dificuldades daquele período”.
Trajetória no Direito
Arrais atuou na Procuradoria de Caarapó (MS), onde ficou 14 por anos. Trabalhou como assessor Jurídico em Juti (MS), participou da criação da Comarca de Caarapó (MS), foi delegado da Subseção de Dourados, depois assumiu a vice-presidência e uma cadeira no Conselho Seccional.
Trabalhou ainda como Conselheiro da OAB/MS. Em julho de 2003 ocorreu a instalação e inauguração da Subseção Caarapó, que ajudou a fundar, e o advogado foi empossado ao cargo de presidente na OAB/MS.
Aposentado, aos 69 anos, ele agradece a vida que a advocacia proporcionou. “Mantenho a minha inscrição na OAB 2962-B, por respeitar a nossa classe e por ter muito orgulho dela”, pontua.
“Hoje, estou realizado profissionalmente, fui bem-conceituado na área jurídica, constitui uma família e financeiramente estou satisfeito. Posso dizer com segurança que em nenhum momento envergonhei a nossa classe de advogado”.
Luta por direitos
O advogado formado na Toledo Prudente ainda deixa um conselho à carreira profissional dos estudantes do curso de Direito e aos advogados recém-formados. “Sejam honestos em suas atitudes, lutem pelos seus direitos e pelas prerrogativas do advogado. Não desistam nas primeiras dificuldades, não se intimidem diante do Judiciário, respeitem. Nunca desistam de lutar pelas causas justas, mesmo que não haja a recompensa financeira”.